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terça-feira, 6 de abril de 2010

Resposta da UFRB às distorções da Revista Veja repercute na Internet

Resposta da UFRB às distorções da Revista Veja repercute na Internet


Jornalistas conceituados em todo o Brasil, entre eles Paulo Henrique Amorim, Luiz Carlos Azenha, Luis Nassif e outros, repercutiram a nota da UFRB sobre as informações distorcidas que a Veja publicou esta semana. Sites que procuram fiscalizar a ação da imprensa e de jornalistas,  como o Portal Imprensa, o Mídia Independente e o site do Sindicato dos Jornalistas do AM, também escreveram sobre o assunto.  Já no twitter, até às 10hs do dia 06/04, mais de 110 pessoas repercutiram entre seus seguidores a nota da UFRB.  Blogueiros no país inteiro também comentaram o assunto.

A Ascom da UFRB entrou em contato com a jornalista Roberta Abreu, que assina a reportagem, para pedir o direito de resposta.

Revista Veja publica matéria distorcida sobre a UFRB

Revista Veja publica matéria distorcida sobre a UFRB

A UFRB esclarece alguns equívocos cometidos na reportagem “Pecados Pouco Originais”, publicada na edição 2.159 da Revista Veja (primeira semana de abril de 2010):

1) É insólito e inédito o princípio defendido pela Revista Veja de que a demanda de uma universidade é aquela estabelecida pelo município de sua sede. A Bahia tem a segunda pior proporção nacional de matrículas em universidades federais para cada mil habitantes e, por isso, precisa ter o número de universidades públicas ampliado em seu território, inclusive por respeito ao princípio federativo;

2) a UFRB é multicampi e possui centros de ensino em 4 cidades do Recôncavo, (Amargosa, Cachoeira, Cruz das Almas e Santo Antonio de Jesus, além do anexo do CAHL em São Félix), não se restringindo ao município de Cruz das Almas, como afirma a matéria;

3) o projeto de implantar uma instituição pública de ensino superior no Recôncavo da Bahia tem origem no Segundo Império, nos meados do século XIX. Trata-se de uma das primeiras regiões urbanizadas das Américas e, ao contrário do que afirma a reportagem, está entre as regiões mais densamente povoadas do interior do Brasil;

4)  a UFRB foi avaliada em 2007, apenas em um curso de graduação, herdado da UFBA. Após avaliações de outras variáveis o Índice Geral de Cursos (IGC) da UFRB foi corrigido para 3 (três), em uma escala que vai de 0 a 5;

5) a foto da sala de aula exibida na reportagem foi tirada de um dos cursos noturnos do campus de Cruz das Almas. Os cursos noturnos passaram a ser oferecidos mais recentemente na UFRB. A imagem publicada não corresponde à dinâmica da realidade da maioria dos cursos da nossa instituição. No que diz respeito aos cursos diurnos, a elevada procura dos mesmos determina inclusive a previsão da construção de novos prédios, fundamental para evitar um colapso na infra-estrutura de apoio às atividades acadêmicas da UFRB.

Recebemos o jornalista da revista Veja, João Figueiredo, no gabinete da Reitoria da UFRB, no dia 31 de março. Na UFRB, priorizamos o atendimento a todos os profissionais de imprensa que nos procuram. Entretanto, não podemos deixar de registrar a nossa surpresa com a forma desrespeitosa e preconceituosa com que esta Universidade foi tratada e com a manipulação grosseira verificada na referida matéria, escrita pela jornalista Roberta de Abreu Lima.

Em sua primeira indagação, felizmente não publicada, o repórter da Veja se referiu à UFRB como um “elefante branco no meio do sertão”. Além de grosseira, a pergunta demonstra um total desconhecimento da realidade brasileira e da geografia de nosso País. Como sabemos, a UFRB está situada no Recôncavo, região, por princípio, litorânea. Noutro momento o jornalista perguntou qual o sentido de uma universidade pública naquele deserto. Explicamos que, segundo historiadores e geógrafos, estávamos numa região de vida urbana notável desde a época colonial. Todas as perguntas foram respondidas, inclusive repetidamente, dada a prática do jornalista de repetir a mesma pergunta duas ou três vezes. A entrevista durou cerca de 90 minutos. As respostas apresentadas sobre os temas abordados na reportagem não foram em quaisquer dimensões incluídas na matéria publicada. Portanto, é difícil entender os motivos de tantos equívocos.

Este é um episódio lamentável. A revista Veja é um poderoso veículo de comunicação e exatamente por isso não tem o direito de desconhecer a história do Recôncavo.

Atenciosamente,

Paulo Gabriel Soledade Nacif
Reitor

http://www.ufrb.edu.br/portal/index.php/administracao/revista-veja-publica-materia-distorcida-sobre-a-ufrb

Pecados pouco originais Com vagas ociosas e ingerências indevidas, as novas federais nascem com os mesmos problemas do caro e ineficiente ensino superior público brasileiro

Pecados pouco originais

Com vagas ociosas e ingerências indevidas, as novas federais nascem com os mesmos problemas do caro e ineficiente ensino superior público brasileiro

Fotos Roberto Setton
Evasão de 46%
As estudantes Aline Sanches (à esq.) e Camila Primerano, da Federal do ABC, em Santo André,
contam que muitos dos colegas migraram para universidades públicas de mais renome:
apesar de sobrarem vagas, as obras de expansão continuam

As universidades públicas brasileiras tradicionais, com as honrosas exceções de sempre, apresentam produção científica modesta e um dos mais elevados custos por aluno do planeta. Suas coirmãs mais novas criadas nos últimos anos vieram ao mundo com defeitos de mesma natureza. Muitas dessas universidades têm quadros de professores inflados, salas de aula praticamente vazias e taxas de evasão que fazem refletir sobre sua real utilidade. Elas se parecem com as escolas mais maduras até mesmo na coexistência de ilhas de excelência com escolas de desempenho sofrível. Oito dessas novas instituições já tiveram cursos avaliados pelo Exame Nacional de Desempenho de Estudantes, o Enade. Em cinco delas, em uma escala de 1 a 5, as notas foram excelentes, beirando o limite superior. Nesse patamar se destacam a Escola de Ciências da Saúde de Porto Alegre e a Tecnológica do Paraná. Duas escolas ficaram com a nota 3, e com a pior avaliação, a nota 1, aparece a Federal do Recôncavo da Bahia.
Um levantamento de treze instituições inauguradas a partir de 2005 revela que o número de vagas ociosas gira em torno de 20%, chegando a atingir 40% – mais de quatro vezes a média das federais que funcionam há mais tempo. Tome-se o exemplo da Universidade Federal do ABC, na cidade de Santo André, em São Paulo. Ali se está diante de um caso de inoperância difícil de ser superado. Desde que ela abriu as portas, em 2006, nenhum reitor ficou no cargo mais de um ano. A evasão escolar chegou a 46%. Esse desastre ocorre em uma instituição onde cada grupo de seis alunos conta com um professor – um luxo que não se pode achar nem nas mais caras escolas superiores privadas dos países mais ricos do mundo. Quem paga o descalabro? Você, leitor, com os impostos que lhe consomem o suor do rosto durante cinco dos doze meses do ano. Confrontado com o cenário absurdo, Júlio Facó, assessor da reitoria, minimiza o problema: "O que falta à universidade é consolidar o nome, e só".
 
A Federal do ABC é uma das treze universidades cuja faixa inaugural foi cortada pelo presidente Lula – quatro delas criadas do zero e as outras nove, que já funcionavam como faculdades, alçadas à condição de universidade ao cabo de processos de expansão. A imponência dos prédios contrasta com a alta ociosidade nas salas de aula. Isso se deve ao fato de que muitas das escolas foram erguidas em regiões de demografia rarefeita ou distantes de sua clientela potencial. A Universidade do Recôncavo da Bahia é um exemplo disso. Ela foi instalada em Cruz das Almas, cidade de 57 000 habitantes. Em um país como o Brasil, em que das 5 565 cidades cerca de 500 possuem população acima de 50 000 habitantes, Cruz das Almas não pode ser classificada como uma localidade erma. Com apenas 800 jovens matriculados no ensino médio, a cidade da Bahia, nacionalmente famosa por sua temerária "guerra das espadas", travada durante os festejos de São João, não tem densidade educacional para abastecer de alunos uma universidade. Diz o consultor Ryon Braga: "A demanda real, na maioria dos casos, foi solenemente ignorada".
O tipo de curso oferecido por essas instituições é outro fator que contribui para o desperdício dos impostos e a imensa ociosidade. As novas federais têm como um dos focos a formação de professores, uma carreira nobre, necessária, mas que atrai apenas 2% dos jovens brasileiros que concluem o ensino médio. O reitor Dilvo Ristoff, da Universidade Federal da Fronteira Sul, sediada em Chapecó, em Santa Catarina, dá voz ao pensamento oficial: "É um dever patriótico oferecer cursos de licenciatura". Dever mesmo seria conseguir alunos. Oito cursos de licenciatura da escola do professor Ristoff não tiveram sequer um candidato por vaga na sala de aula. A Federal do ABC, por seu turno, surgiu para atender a uma demanda dos sindicatos da região, que hoje se fazem presentes na universidade em mais de uma frente. Além de organizarem debates no núcleo de ciência e tecnologia, eles influenciam projetos de pesquisa. No município de Laranjeiras do Sul, no interior do Paraná, a federal da Fronteira Sul, que funciona em outros quatro endereços, fincou um câmpus próximo a um assentamento do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). Na semana passada, durante a aula inaugural dos cursos de educação do campo e de desenvolvimento rural, ambos de nível superior, agitavam-se bandeiras do movimento aos gritos de "Viva o MST". Será preciso aferir com frequência a qualidade do ensino oferecido por essas instituições sob pena de que elas sirvam apenas de foco de apoio logístico a invasores de terras.
Ninguém discorda de que é imperativo para o país ampliar o acesso ao ensino superior, em que só ingressa hoje um de cada quatro jovens – um terço da média registrada nos Estados Unidos. Sabe-se que 50% dos alunos brasileiros que se formam no ensino médio a cada ano, um grupo de 1,2 milhão de estudantes, estão longe da sala de aula porque não conseguiram vaga numa faculdade pública, tampouco têm dinheiro para arcar com uma particular. A questão que se coloca é como incluí-los de forma menos dispendiosa e mais eficaz. As universidades públicas brasileiras, afinal, chamam atenção no mundo inteiro por dragar altas somas de dinheiro. Cada aluno custa à União 13 000 dólares por ano. Esse valor, em relação ao PIB per capita do país, é o triplo do custo por estudante nos países da OCDE (organização que reúne os mais desenvolvidos), que oferecem, por sua vez, um ensino muito melhor. O dado se torna ainda pior se confrontado com a produção acadêmica, quesito em que o Brasil responde por apenas 1,8% das citações em revistas de relevo internacional. Até hoje, nenhum pesquisador brasileiro foi agraciado com um Prêmio Nobel, ao passo que os argentinos, por exemplo, já levaram cinco. Resume o economista Claudio de Moura Castro, articulista de VEJA e especialista em educação: "Criar novas universidades públicas é reproduzir um sistema de ensino ineficiente, que envolve altos gastos e baixa produtividade".
 
O programa de expansão das universidades federais do governo Lula, que já criou 63 000 vagas desde 2003, consumiu 1,6 bilhão de reais. Solução menos onerosa, concordam os especialistas, seria fazer uso de pelo menos uma parte de 1 milhão de vagas atualmente ociosas em faculdades particulares, por meio do Programa Universidade para Todos (ProUni), do próprio governo federal. Ao conceder bolsas a jovens de renda mais baixa, o ProUni abarca hoje apenas 8% dos egressos do ensino médio que ficam de fora da sala de aula. A experiência internacional enfatiza ainda a relevância de trazer ao debate outra mudança no ensino superior brasileiro, esta radical: cobrar mensalidade em universidades públicas daqueles que podem pagar. Diz o economista Gustavo Ioschpe: "Foi o que tornou financeiramente viável a existência de universidades que primam pela excelência nos países mais desenvolvidos". A questão do acesso à universidade, no entanto, não pode passar ao largo de um problema anterior, o da péssima qualidade do ensino médio, do qual só saem 35% dos jovens que ingressaram nele. Desatar esse nó deveria ser prioritário – mas seria, sem dúvida, bem menos visível para os eleitores do que abrir novas universidades a toque de caixa.
Fotos divulgação e Oscar Cabral
Ideologia e ociosidade
Primeiro dia de aula em um dos câmpus da federal da Fronteira Sul, que surgiu por reivindicação do MST,
no Paraná (à esq.), e sala de aula vazia na universidade do Recôncavo da Bahia, no interior do estado
(à dir.): a escolha da localização passa ao largo de um estudo da demanda

Com reportagem de João Figueiredo

http://clippingmp.planejamento.gov.br/cadastros/noticias/2010/4/4/novas-universidades-federais-velhos-problemas

domingo, 28 de fevereiro de 2010

V SEMCiso

V SEMCiso, realizada na Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas, UFBA.


A SEMCiSO é um evento acadêmico organizado pelo Centro Acadêmico de Ciências Sociais da UFBA em parceria com o  Colegiado do curso. Trata-se de um espaço para exposição e discussão de temas pertinentes ao curso e à realidade social. A SEMCiSO, desde sua primeira  edição, em 2007, vem preenchendo esse espaço e servindo também como recepção aos novos alunos do curso, contando com a participação de professores, pesquisadores e representantes de movimentos sociais diversos.
Para tal, a SEMCiSO é constituída de apresentações acadêmicas, apresentação das pesquisas desenvolvidas, mesas-redondas e GDs (grupos de discussão), além de espaços para exposições culturais diversas.


Programação
Segunda-feira - 01/03
09:00 às 12:00 - Apresentação institucional:

FFCH - João Carlos Salles,
Colegiado - Alvino Sanches,
Antropologia - Ordep Serra,
Sociologia - Luis Lourenço,
Política - Jorge Almeida,

Licenciatura - Gustavo Roque de Almeida

12:00 às 13:00 - CACiSO


Terça-feira  - 02/03

09:00 às 11:00 - Mesa redonda
As Ciências Sociais em questão: paradigmas, contradições e perspectivas no séc. XXI.
Maria Victoria
Antonio Câmara


11:10 às 13:00 - Centros, grupos e núcleos de pesquisa:


Processos de Hegemonia e Contra-Hegemonia - Jorge Almeida,
A cor da Bahia - ?
NUCLEAR - ?
GIESP - ?
CRH - Iracema Guimarães,
ECSAS -  Miriam Rabelo
PINEB - Rosário
CEAO - ?,
LASSOS - Eduardo Paes-Machado
NEIM - Marcia Macedo.


Quarta-feira  - 03/03

09:00 às 11:00 - Mesa redonda
Combate ao racismo e ações afirmativas
Jocélio Teles - CEAO / UFBA
Jairo Lira / NENU
UNEGRO

11:00 às 13:00 - Grupos de discussão
1. Legalização do aborto
Gilberta Soares - NEIM
2. O uso de substâncias psicoativas, o tráfico de drogas e a questão da redução de danos
Paes-Machado - LASSOS / UFBA


Quinta-feira  - 04/03

09:00 às 11:00 - Mesa redonda
Eleições 2010
Paulo Fábio

11:00 às 13:00 - Grupos de discussão
1. A questão indígena no meio acadêmico
2. Academia e militância LGBT: diálogos?
Leandro Colling - IAHC / UFBA
Suely Messeder - Diadorim /UNEB
Vinicius Alves - Beco das Cores/ KIU!

Sexta-feira  - 05/03

09:00 às 11:00 - Mesa redonda
O Movimento Estudantil e a Universidade
UNE
UEB
PROAE

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

POIS É...

É verdade...nos passamos...
O Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) virou o maior vestibular do país, unificando os processos seletivos das universidades federais. Entretanto, quando foi lançada a proposta pelo então ministro da Educação, ela daria a oportunidade aos estudantes de tentarem, com o resultado de uma mesma prova, cinco diferentes cursos em até cinco diferentes instituições da rede no país. A decisão de dar oportunidade aos estudantes de tentar mais de um curso e mais de uma instituição com a mesma prova seria um dos pontos básicos da proposta que o MEC. Entretanto não foi isso que aconteceu.
Ao fazerem seus cadastros utilizando o SISU – Sistema de Seleção Unificado – os candidatos apenas tiveram a oportunidade de uma escolha: um curso, uma instituição. Não podendo, dessa forma, concorrer a outras Universidades. Além da famosa nota de corte, ainda existiu uma alta concorrência a quem estava concorrendo por cotas e grande dificuldade de entender esse sistema, principalmente pelo fato de que poucos teem acesso ao domínio da informática.
Antes do SISU, o candidato poderia tentar vestibular em diversas instituições, como a possibilidade de não pagar ao concorrerem na isenção de taxa. Mas hoje a realidade torna-se diferente e a concorrência cada vez mais aumenta. Melhor para as Universidades que não conseguiam manter certo nível de concorrência em seus cursos, quase que se vendo na possibilidade de fechá-los. Não entendo, como podemos ter nos passado por esse simples detalhe anunciado pelo Ministro e esquecido por todo@... Creio que desta vez tudo foi abafado, de maneira silenciosa, como um fetiche, sem danos visíveis a quem está empenhado(a) em ter um nível superior de qualidade em uma Instituição Federal de ensino.
Virginia Nunes
Graduando em Ciências Sociais - UFRB
MOVE_UFRB – Movimento Estudantil da UFRB

EVENTOS

Eventos no Brasil
A antropologia da intervenção em perspectiva: Os antropólogos e o reconhecimento de direitos
constitucionais
Conferencista: Prof. Dr. Alfredo Wagner Berno de Almeida (UEAM, Brasil).
Data: 02 de março 2010, às 9:30h
Local: Auditório Pantheon (IFCH, UFRGS)
Organização: PPGAS IFCH UFRGS
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Palestra " Fundação Wenner Gren e as possibilidades de financiamento de pesquisas antropológicas".
Palestrante  Dra. Leslie Aiello, Presidenta da Wenner Gren Foundation for Anthropological Research
Data: 3 de marco de 2010, as 10 horas
Local: Depto. de Antropologia, Museu Nacional, Rio de Janeiro
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Encontro Nacional de Antropologia e Performance
Data: 16 a 19 de março de 2010
Local: MAC – USP, São Paulo
Organização: Núcleo de Antropologia, Performance e Drama do PPGAS da USP
Mais informações: http://enap2010.wordpress.com
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II Encontro em Análise do Discurso: discursos sobre identidade
Data: 7 e 8 de abril de 2010
Local: Campus da UFMS, Campo Grande.
Informações: http://www.uems.br/analisediscurso/
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VIII Semana de Ciências Sociais da UFS: O Ensino e a Pesquisa em Ciências Sociais
Data: 13 a 16 de abril de 2010
Local: Universidade Federal de Sergipe
Envio de comunicações em Grupos de Trabalho (GTs): até 08 de março de 2010 para o e-mail viiisemanacsufs@ig.com.br
Informações: http://semanacsufs.blogspot.com/
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Simpósio mundos visuais e sensoriais Andinos e Amazônicos: pesquisas recentes
Data: 15 e 16 de abril de 2010
Local: Programa de Pós graduação em Antropologia de São Carlos
Coordenadores: Aristóteles Barcelos Neto (UEA) e Els Lagrou (UFRJ)
Informações: http://www.ufscar.br/ppgas/?p=476
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I Congresso Iberoamericano de Arqueologia, Etnologia e Etno-história
Data: 11 a 14 de maio de 2010
Local: Dourados, Mato Grosso do Sul, Brasil
Informações: http://www.do.ufgd.edu.br/rodrigoaguiar/CIAEE/
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I MOVE – Mostra de Vídeo Etnográfico da UFG
Data: 19 a 22 de maio de 2010
Local: Universidade Federal de Goiás, Goiânia
Inscrições: 1 de março a 1 de abril de 2010
Informações: www.I-MOVE.com.br
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II Encontro Internacional de Ciências Sociais: “As Ciências Sociais e os Desafios para o Século XXI"
Data: 8 a 11 de junho de 2010Local: UFPEL, Pelotas – RS Informações: http://www.ufpel.tche.br/isp/ppgcs/index.htm
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IV Jubra - Simpósio Internacional sobre juventude brasileira
Data: 16 a 18 de junho de 2010
Local: PUC Minas, Belo Horizonte
Inscrição de trabalho: até o dia 06 de março de 2010
Informações:  http://www.pucminas.br/jubra
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Simpósio Fazendo Gênero 9 - Diásporas, Diversidades, Deslocamentos
Data: 23 a 26 de agosto de 2010
Local: Universidade Federal de Santa Catarina
Inscrições: até 28 de fevereiro de 2010
Informações: http://www.fazendogenero9.ufsc.br/
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XIII Jornadas Internacionais sobre as Missões Jesuiticas
Data: 30 de agosto a 3 de setembro de 2010
Local: Universidade Federal da Grande Dourados, Mato Grosso do Sul
Informações: http://www.ufgd.edu.br/eventos/jornadas/


fonte: http://www.abant.org.br/noticias.php?type=evento#539


SBS - Sociedade Brasileira de Sociologia
XIV Congresso Brasileiro de Sociologia
Local: UFRJ, Rio de Janeiro, RJ
Data: 28/7/2009 a 31/7/2009
Hot Site: http://www.sbs2009.sbsociologia.com.br
Sociologia: Consensos e Controvérsias

http://www.sbsociologia.com.br/

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Fenomenologia

Fenomenololgia (do grego phainesthai, aquilo que se apresenta ou que se mostra, e logos, explicação, estudo) afirma a importância dos fenômenos da consciência os quais devem ser estudados em si mesmos – tudo que podemos saber do mundo resume-se a esses fenômenos, a esses objetos ideais que existem na mente, cada um designado por uma palavra que representa a sua essência, sua "significação".  Os objetos da Fenomenologia são dados absolutos apreendidos em intuição pura, com o propósito de descobrir estruturas essenciais dos atos (noesis) e as entidades objetivas que correspondem a elas (noema). A Fenomenologia representou uma reação à pretensão dos cientistas de eliminar a metafísica.
O empirismo. Desde Aristóteles até o final da Idade Média, o caminho para o conhecimento foi o da análise dialética, ou seja, o raciocínio por dedução lógica, na busca de novos conhecimentos. As respostas dadas por esse método pareciam tão satisfatórias e convincentes que não havia muita preocupação em testá-las no mundo real, mediante a observação. Ciência era o mesmo que Filosofia, e o método dedutivo lógico dominou o ensino e o estudo da natureza a partir de conceitos teológicos sobre Deus e o universo. Por exemplo: se Deus existe, Ele é um Ser perfeito e se é um Ser perfeito, sua criação das coisas haveria de refletir a Sua perfeição. Consequentemente, a órbita dos planetas não podia ser qualquer uma mas devia ser a mais perfeita possível, que é a forma circular e não a elíptica, porque esta última contem desigualdades. Logo, as estrelas e os planetas situavam-se em esferas perfeitas ao redor da Terra.
Galileu (1564-1642), com sua luneta, descobre que as esferas celestes não existiam e porque contrariou essa idéia, tão certa para todos, por pouco não foi condenado a morrer na fogueira, acusado de heresia.
A nova atitude naturalista de Galileu, de dúvida e observação, inspirou Francis Bacon (1561-1626) a criar tábuas para o controle da experimentação e o estabelecimento de leis científicas, o que levou rapidamente o homem a novos conhecimentos na astronomia, na química e na física. A mesma atitude de observação e interpretação natural levada ao estudo da mente e do conhecimento, deu origem à Corrente Empirista, que haveria de afetar profundamente a filosofia e criar o Positivismo, ou seja, o tratamento científico de todos os fatos e fenômenos, inclusive em Política..
John Locke (1632-1704), tido como o maior dos filósofos empiristas, procurou, no seu Essay Concerning Human Understanding (1690), demonstrar que todas as idéias são registros de impressões sensíveis (ou são derivadas de combinações, de associações entre essas idéias de origem sensível), e criticou o pensamento de Descartes (1596-1650) de que existiriam algumas idéias que seriam inatas - que o homem teria no espírito ao nascer -, como, por exemplo, a idéia de perfeição. Segundo Locke, alguma coisa é enviada pelos objetos e é captada por nossos sentidos e dão causa à formação das idéias. Este  pensamento é a base da teoria corpuscular da luz.
Outro filósofo dessa corrente foi David Hume (1711-1776). Ainda mais contundente que seu predecessor Locke, negou o valor do raciocínio lógico, denunciando que a relação de causa e efeito não é suficiente como verdade, pois nada encontramos entre causa e efeito senão que um acidente costumeiramente se segue a outro. Estamos habituados a chamar o primeiro acidente de causa apenas porque ele sempre acontece antes do segundo que chamamos de efeito.
Psicologismo e Historicismo. À influência da psicologia associativa de Locke sobre a filosofia (ou teoria) do conhecimento se chamou Psicologismo. É a teoria de que os problemas da epistemologia (a validade do conhecimento humano) e inclusive a questão da consciência, podem ser solucionados por meio do estudo científico dos processos psicológicos. A Psicologia deve ser tomada como base para a Lógica.  Os psicologistas entendiam a lógica - domínio da filosofia - como ciência. Seria apenas uma disciplina definidora, normativa, dos atos psíquicos, dos modos associativos do pensamento, e suas matérias apenas regras para pensar bem, e não fonte de verdade. A filosofia ficou fora de moda, "reduzida" a uma psicologia científica vinculada ao Positivismo.
O historicismo representava a mesma tendência empirista para uma interpretação científica da História. Os fatos históricos somente poderiam ser compreendidos e julgados se confrontados com a cultura estética, religiosa, intelectual e moral do período histórico em que aconteciam, e não em relação a valores morais permanentes.
 Husserl. O filósofo Edmund Husserl ( 1859-1938),  matemático e lógico, professor em Göttingen e Freiburg im Breisgau, autor de Die Idee der Phänomenologie (A ideia da Fenomenologia - 1906) enfrenta o Psicologismo e o Historicismo, e funda a Fenomenologia..
Contrariamente a todas as tendências no mundo intelectual de sua época, Husserl quis que a filosofia tivesse as bases e condições de uma ciência rigorosa. Porém, como dar rigor ao raciocínio filosófico em relação a coisas tão cambiantes  e variáveis como as coisas do mundo real? O êxito do método científico está em que ele pode estabelecer uma "verdade provisória" útil, que será verdade até que um fato novo mostre uma outra realidade. Para evitar que a verdade filosófica também fosse provisória, a solução, para Husserl, é que ela deveria referir-se às coisas como se apresentam na experiência de consciência, estudadas em suas essências, em seus verdadeiros significados, de um modo livre de teorias e pressuposições, despidas de seus acidentes próprios do mundo real, do mundo empírico objeto da ciência. Buscando restaurar a "lógica pura" e dar rigor à filosofia, argumenta a respeito do principio da contradição na Lógica.
No primeiro volume do seu Logische Untersuchungen ("Investigações lógicas"-1900-01), sob o título Prolegomena, Husserl lança sua crítica contra o Psicologismo. Segundo os psicologistas, o princípio de contradição seria a impossibilidade do sistema associativo estar a associar e dissociar ao mesmo tempo. Significaria que o homem não pode pensar que A é "A" e ao mesmo tempo pensar que A é "não A". Husserl opõe-se a isto e diz que o sentido do principio de contradição está em que, se A é "A", não pode ser "não A". Segundo ele, o princípio da contradição não se refere à possibilidade do pensar, mas à verdade daquilo que é pensado. Insistiu em que o principio da contradição, e assim os demais princípios lógicos, têm validez objetiva, isto é, referem-se a alguma coisa como verdadeira ou não verdadeira, independentemente de como a mente pensa ou o pensamento funciona.
Em seu artigo Philosophie als strenge Wissenschaft ("Filosofia como ciência rigorosa" -1910-11) Husserl ataca o naturalismo e o historicismo. Objetou que o Historicismo implicava relativismo, e por esse motivo era incapaz de alcançar o rigor requerido por uma ciência genuína.
A redução fenomenológica. A fenomenologia é o estudo da consciência e dos objetos da consciência. A redução fenomenológica (ou "epoche" no jargão fenomenológico), é o processo pelo qual tudo que é informado pelos sentidos é mudado em uma experiência de consciência, em um fenômeno que consiste em se estar consciente de algo. Coisas, imagens, fantasias, atos, relações, pensamentos eventos, memórias, sentimentos, etc. constituem nossas experiências de consciência.
 Husserl propôs então que, no estudo das nossas vivências, dos nossos estados de consciência, dos objetos ideais, desse fenômeno que é estar consciente de algo, não devemos nos preocupar se ele corresponde ou não a objetos do mundo externo à nossa mente. O interesses para a Fenomenologia não é o mundo que existe, mas sim o modo como o conhecimento do mundo se dá, tem lugar, se realiza para cada pessoa. A redução fenomenológica requer a suspensão das atitudes, crenças, teorias, e colocar em suspenso o conhecimento das coisas do mundo exterior a fim de concentrar-se a pessoa exclusivamente na experiência em foco, porque esta é a realidade para ela.
Na redução fenomenológica, a Noesis é o ato de perceber. Aquilo que é percebido, o objeto da percepção, é o noema. A coisa como fenômeno de consciência (noema) é a coisa que importa, e refere-se a ela a conclamação "às coisas em si mesmas" que fizera Husserl. "Redução fenomenológica" significa, portanto, restringir o conhecimento ao fenômeno da experiência de consciência, desconsiderar o mundo real, colocá-lo "entre parênteses", - o que no jargão fenomenológico não quer dizer que o filósofo deva duvidar da existência do mundo – como os idealistas radicais duvidam – mas sim que a questão para a fenomenologia é antes o modo como o conhecimento do mundo acontece, a visão do mundo que o indivíduo tem.
Consciência e intencionalidade. Vivência (Erlebnis) é todo o ato psíquico; a Fenomenologia, ao envolver o estudo de todas as vivências, tem que englobar o estudo dos objetos das vivências, porque as vivências são intencionais e é nelas essencial a referência a um objeto. A consciência é caracterizada pela intencionalidade, porque ela é sempre a consciência de alguma coisa. Essa intencionalidade é a essência da consciência, e é representada pelo significado, o nome pelo qual a consciência se dirige a cada objeto.
Em seu Psychologie vom empirischen Standpunkte ("A Psicologia de um ponto  de vista empírico"- 1874), Franz Brentano afirma: "Podemos assim definir os fenômenos psíquicos dizendo que eles são aqueles fenômenos os quais,  precisamente por serem  intencionais, contem neles próprios um objeto". Isto equivale a firmar, como Husserl, que os objetos dos fenômenos psíquicos independem da existência de sua réplica exata no mundo real porque contêm o próprio objeto. A descrição de atos mentais, assim, envolve a descrição  de seus objetos, mas somente como fenômenos e sem assumir ou afirmar sua existência no mundo empírico. O objeto não precisa de fato existir. Foi um uso novo do termo "intencionalidade" que antes se aplicava apenas ao direcionamento da vontade.
 A redução eidética. Reconhecido o objeto ideal, o noema, o objeto da percepção, o passo seguinte é sua “redução eidética”, redução à idéia (do grego eidos, que significa idéia ou essência) ). Consiste na sua análise para encontrar o seu verdadeiro significado. Isto porque não podemos nos livrar da subjetividade e ver as coisas "como são" – o que é o real, uma vez que em toda experiência de consciência está envolvido o que é informado pelos sentidos e também o modo como a mente enfoca, trata, aquilo que é informado.  Portanto, dar-se conta dos objetos ideais, uma realidade criada na consciência, não é suficiente - ao contrário: os varios atos da consciência  precisam ser conhecidos nas suas essências, aquelas essências que a experiência de consciência de um indivíduo deverá ter em comum com experiências semelhantes nos outros.  
Por exemplo, "um triângulo". Posso observar um triângulo maior, outro menor, outro de lados iguais, ou desiguais. Esses detalhes da observação - elementos empíricos - precisam ser deixados de lado a fim de encontrar a essência da idéia de triângulo - do objeto ideal que é o triângulo -, que é tratar-se de uma figura de três lados no mesmo plano. Essa redução à essência, ao triângulo como um objeto ideal, é a redução eidética
A redução eidética é necessária para que a filosofia preencha os requisitos de uma ciência genuinamente rigorosa,  requisitos já antes mencionadas por Descartes, de claridade  apodítica, a certeza absolutamente transparente, e de distinção unívoca, que quer dizer sem ambigüidade. Os objetos da ciência rigorosa têm que ser essências atemporais, cuja atemporalidade é garantida por sua idealidade, fora do mundo cambiável e transiente da ciência empírica.
A Intuição do Invariante.  Não importa para a Fenomenologia como o mundo real afeta os sentidos. Husserl distingue entre percepção e intuição. Alguém pode perceber e estar consciente de algo, porem sem intuir o seu significado. A intuição eidética é essencial para a redução eidética. Ela é o dar-se conta da essência, do significado do que foi percebido.O modo de apreender a essência é, no jargão dos fenomenólogos, o Wesensschau, a intuição das essências e das estruturas essenciais. De comum, o homem forma uma multiplicidade de variações do que é dado. Porém, enquanto mantendo a multiplicidade, o homem pode focalizar sua atenção naquilo que permanece imutável  na multiplicidade, isto é, a essência, esse algo idêntico que continuamente se mantém durante o processo de variação, e que Husserl chamou "o Invariante".
No exemplo dado do triângulo, o "Invariante" do triângulo é aquilo que estará em todos os triângulos, e não vai variar de um triângulo para outro. A figura que tiver unicamente três lados em um mesmo plano, não será outra coisa, será um triângulo.
Não podemos acreditar cegamente naquilo que o mundo nos oferece. No mundo, as essências estão acrescidas de acidentes enganosos. Por isso, é preciso fazer variar imaginariamente os pontos de vista sobre a essência para fazer aparecer o invariante.
Como dito, não é a coisa existir ou não, ou como ela existe no mundo, o que importa, mas, sim, a maneira pela qual o conhecimento do mundo acontece como intuição, o ato pelo qual a pessoa apreende imediatamente o conhecimento de alguma coisa com que se depara. Também que é um ato primordialmente dado sobre o qual todo o resto é para ser fundado. Husserl definiu a Fenomenologia em termos de um retorno à intuição (Anschauung) e a percepção da essência. Além do mais, a ênfase de Husserl sobre a intuição precisa ser entendida como uma refutação de qualquer abordagem meramente especulativa da filosofia. Sua abordagem é concreta, trata do fenômeno dos vários modos de consciência.
No entanto, a Fenomenologia não restringe seus dados à faixa das experiências sensíveis mas admite, em igualdade de termos, dados não sensíveis (categoriais) como as relações de valor, desde que se apresentem intuitivamente.
Resumindo, "epoche" é colocar entre parenteses a atitude natural de modo que a pessoa possa abordar o fenômeno do modo como ele se apresenta. Uma vez que a atitude natural é colocada entre parênteses a pessoa pode abordar o que, de acordo com Husserl, são os dois polos da experiência: noema e noesis. Noesis é o ato de perceber enquanto noema é aquilo que é percebido. Através desse método, para Husserl, a pessoa pode perfazer uma "redução eidética", ou seja, os noema podem ser reduzidos à sua forma essencial ou "essência”, que será sua garantia de verdade.
Redução transcendental. Embora tenha trabalhado até o final de sua vida na definição do que chamou Redução Transcendental, Husserl não chegou a uma conclusão clara. Basicamente seria a redução fenomenológica aplicada ao próprio sujeito, que então se vê não como um ser real, empírico, mas como consciência pura, transcendental, geradora de todo significado..
Doutrinas afins. A Fenomenologia de Husserl é uma forma de idealismo, porque lida com objetos ideais, com as idéias das coisas em sua essência, tal como os idealistas Platão, Hegel e outros. Desde os ensinamentos de Platão a filosofia nos diz que, por influência dos sentidos (a construção das idéias que o homem tem em sua mente se faz por informação dos sentidos, como dito por Locke) existem várias imagens possíveis de  um objeto, porém todas elas significando a mesma coisa, ou seja, todas elas redutíveis ao mesmo significado, todas referindo-se ao mesmo objeto ideal, contendo a mesma idéia, constituídas da mesma essência. Todas as imagens de mesa (o exemplo mais freqüente nos textos) têm uns certos componentes que fazem com que cada uma das imagens signifique "mesa", uma mesa maior, menor, alta ou baixa, vista de cima ou de baixo, por uma  pessoa míope ou por outra daltônica, não importa, terá sempre aqueles componentes básicos que garantirão a aquele objeto o significado de mesa.
Para Platão (428-347 AC), essa essência de cada coisa, o que se chamou "universais", estava no Mundo das Idéias que as almas humanas podiam vislumbrar antes da encarnação. Aristóteles (384-322 AC) reconheceu de pronto a importância desse pensamento, porém trouxe a essência das coisas para o mundo real, para as coisas mesmas. Em uma mesa, por exemplo, havia algo que era sua essência, e que, não importando quantas e quais fossem as variações acidentais, fazia que fosse uma mesa e não outra coisa qualquer. Husserl, por sua vez, retira do objeto a sua essência e a  coloca na mente do homem. O objeto ideal mesa, o fenômeno da representação da mesa na mente,  independe de que haja qualquer mesa no mundo externo, no mundo real, porque a essência de "mesa" está na própria mente.
A afinidade entre Husserl e Kant está em que ambos buscam a condição de verdade do conhecimento. Husserl sustenta que a verdade está no conhecimento das essências, e Kant, que ela existe limitada às categorias do que é possível conhecer.
Segundo a filosofia do conhecimento (Crítica) de Immanuel Kant (1724-1804), nós não podemos conhecer as coisas inteiramente, porque nem todos os sinais que recebemos das coisas são aceitos pela mente, e disto resulta que não podemos conhecer inteiramente o real. Conhecemos do real apenas aquilo que a mente pode assimilar, e que ele chamou fenômeno; ao que permanece incognoscível para nós ele chamou o noumeno. Então Kant tomou a série de conceitos que Aristóteles havia listado como o que podemos dizer das coisas, e transformou-a em uma série de categorias que são o que podemos conhecer das coisas. Para Kant o dado empírico tem validade, porém nunca validade absoluta ou apodítica, . Husserl igualmente duvida do conhecimento científico dos fatos e, para ele, o que deve ser procurado é o conhecimento científico das essências.
A linguagem. Para o fenomenólogo, a função das palavras não é nomear tudo que nós vemos ou ouvimos, mas salientar os padrões recorrentes em nossa experiência. Identificam nossos dados dos sentidos atuais como sendo do mesmo grupo ou tipo que outros que já tenhamos registrado antes. Uma palavra, então, descreve, não uma única experiência, mas um grupo ou um tipo de experiências; a palavra "mesa" descreve todos os vários dados dos sentidos que nós consultamos normalmente quanto às aparências ou às sensações de "mesa". Assim, tudo que o homem pensa, quer, ama ou teme, é intencional, isto é, refere-se a um desses universais (que são significados e, como tal, são fenômenos da consciência).E por sua vez, o conjunto dos fenômenos, o conjunto das significações, tem um significado maior, que abrange todos os outros, é o que a palavra "Mundo" significa.
Influência. O movimento fenomenológico, que começou então a tomar forma difundido principalmente através dos 11 volumes de sua publicação Jahrbuch für Philosophie und phänomenologische Forschung (1913-30), do qual Husserl foi o principal editor. Influiu não somente sobre filósofos mas também sobre psicólogos e sociólogos. Os existencialistas que o seguiram, principalmente Martin Heidegger, Jean-Paul Sartre, e Maurice Merleau-Ponty, se intitularam fenomenólogos.
O filósofo alemão Martin Heidegger (1889-1976), colega de Husserl e que dedicou a ele sua obra fundamental, Sein und Zeit (1927; "O Ser e o Tempo"). foi seu discípulo mas logo surgiram diferenças entre ele e o mestre. Discutir e absorver os trabalhos de importantes filósofos na história da Metafísica era, para Heidegger, uma tarefa indispensável, enquanto Husserl repetidamente enfatizou a importância de um começo radicalmente novo para a filosofia e, com poucas exceções (entre elas Descartes, Locke, Hume, e Kant), queria excluir, colocar "entre parênteses", a história do pensamento filosófico.
Heidegger tomou seu caminho próprio, preocupado que a fenomenologia se dedicasse ao que está escondido na experiência do dia a dia. Ele tentou em O ser e o tempo (1927) descrever o que chamou de estrutura do cotidiano, ou "o estar no mundo", com tudo que isto implica quanto a projetos pessoais, relacionamento e papeis sociais (pois que tudo isto também são objetos ideais). Em sua crítica, Heidegger salientou que ser lançado no mundo entre coisas e na contingência de realizar projetos é um tipo de intencionalidade muito mais fundamental que a intencionalidade de meramente contemplar ou pensar objetos, e é aquela intencionalidade mais fundamental a causa e a razão desta última, da qual se ocupava Husserl.
Jean-Paul Sartre (1905-1980) segue estritamente o pensamento de Husserl na análise da consciência em seus primeiros trabalhos, L'Imagination (1936) e L'Imaginaire: Psychologie phénoménologique de l'imagination (1940), nos quais faz a distinção entre a consciência perceptual e a consciência imaginativa aplicando o conceito de intencionalidade de Husserl.
No seu The Philosophy of Existentialism, de 1965, Sartre declara que "a subjetividade deve ser o ponto de partida" do pensamento existencialista, o que mostra que o existencialista é primeiramente um fenomenólogo.  A negação de valores e o convite ao anarquismo implícitos na doutrina atraíram os pensadores de Esquerda e afastaram os conservadores de Direita.
Merleau-Ponty (1908-1961), outro importante representante do Existencialismo na França, foi ao mesmo tempo o mais importante fenomenólogo francês. Suas obras, La Estruture du comportement (1942) e Phénoménologie de la perception (1945), foram os mais originais desenvolvimentos e aplicações posteriores da Fenomenologia produzidos na França.
Em sua tentativa de aplicar a Fenomenologia ao exame da existência humana, Heidegger, Sartre e outros autores franceses desenvolveram uma linguagem sofisticada, recheada de termos que caíram no gosto dos acadêmicos mas se tornaram um obstáculo ao entendimento da doutrina inclusive entre os próprios intelectuais.
O mais original e dinâmico dos primeiros associados de Husserl, no entanto, foi Max Scheler (1874-1928), que havia integrado o grupo de Munique quem realizou seu principal trabalho fenomenológico com respeito a problemas do valor e da obrigação.Ampliou a idéia de intuição, colocando, ao lado de uma intuição intelectual, outra de caráter emocional, fundamento da apreensão do valor.
A Fenomenologia e a psicologia.  
Foi de grande importância e de grande impacto o pensamento fenomenológico na psicologia, na qual Franz Brentano ( ) e o alemão Carl Stumpf ( ) haviam preparado o terreno, e na qual o psicólogo americano William James, a escola de Würzburg, e os psicólogos da Gestalt haviam trabalhado ao longo de linhas paralelas. This method, and adaptations of this method, have been used to study different emotions, psychopathologies, things like separation, loneliness, and solidarity, the artistic experience, the religious experience, silence and speech, perception and behavior, and so on.
Mas a Fenomenologia deu provavelmente sua maior contribuição no campo da psiquiatria, no qual o alemão Karl Theodor Jaspers (1883-1969), um destacado existencialista contemporâneo, ressaltou a importância da investigação fenomenológica da experiência subjetiva de um paciente.
O paciente psicológico é paciente em vista do objeto ideal que em sua mente corresponde à realidade, não importa qual a situação externa, e porque essa construção ideal difere do padrão comum dos objetos ideais na mente das demais pessoas com respeito aos mesmos estímulos dos sentidos. O psicólogo precisa encontrar o significado nos objetos do mundo ideal do seu paciente, a fim de poder lidar com sua situação psicologia.
Jaspers foi seguido pelo suíço Ludwig Binswanger (1881-1966) e vários outros, inclusive Ronald David Laing (1927-1989) na Inglaterra, na psiquiatria existencial da linha filosófica ateia de Sartre; Viktor Frankl (1905-1997), com sua teoria da logotherapia, na Áustria e, pioneiramente, Halley Bessa (1915-1994), no Brasil, ambos da linha do existencialismo cristão de Gabriel Marcel (1889-1973).
O fenomenalismo. A femonomenologia não pode ser confundida com o Fenomenalismo. Este não leva em conta a complexidade da estrutura intencional da consciência que o homem tem dos fenômenos. A Fenomenologia, diferentemente do Fenomenalismo, examina a relação entre a consciência e o Ser. Para o Fenomenalismo, tudo que existe são as sensações ou possibilidades permanentes de sensações, que é aquilo a que chamam fenômeno. É materialista. O fenomenólogo, diferentemente do fenomenalista, precisa prestar atenção cuidadosa ao que ocorre nos atos da consciência, que são o que ele chama fenômeno.
Comentário e Crítica. Na psicologia, a objeção que se levanta é contra a possibilidade de se viver com o paciente sua própria visão do mundo, de sua situação e de si mesmo. Como a subjetividade deve estar também no psicólogo, é impossível ter o terapeuta uma intuição desses aspectos que seja inteiramente livre do seu próprio eu, do seu próprio pensar, de modo a evitar introduzirem-se em sua análise certas impressões pessoais que precisaria evitar.  , então o que a Fenomenologia diz é que o terapeuta deve buscar compreender com a sua subjetividade a subjetividade alheia. Na verdade, necessita um grupo de psicólogos consultores de modo que as suas visões possam se somar para uma compreensão mais profunda de um fenômeno. (Isto é chamado "intersubjectividade"). Porém deve lembrar-se de que, a rigor, ele não tem nenhum padrão absolutamente confiável para aprovar ou reprovar qualquer comportamento alheio, apesar de se encontrar confortável com a estatística da normalidade das atitudes e dos costumes.  
Na Política e no Direito, o modo de se lidar com a subjetividade é a Democracia, em que o problema da subjetividade é contornado por meio do consenso, pela coincidência estatística de opiniões, pelo voto de um conselho ou da população, de modo que, por assim dizer, a subjetividade de um único indivíduo, ou de uma minoria de intelectuais, não venha a prevalecer. Em Moral e Religião, a âncora são as escrituras, consideradas revelação divina.
Rubem Queiroz Cobra           
Doutor em Geologia e bacharel em Filosofia

Lançada em 4/03/2001, revisada em 20-04-2005. 
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Direitos reservados. Para citar esse texto: Cobra, Rubem Q. - Fenomenologia. Filotemas, Site www.cobra.pages.nom.br, Internet, Brasília, 2001, rev. 2005.
("www.geocities.com/cobra_pages" é "Mirror Site" de www.cobra.pages.nom.br)

domingo, 17 de janeiro de 2010

Ser Cientista Social

Bem Vindos!

Cientista Social

"Individuo que estuda a Ciência que se ocupa dos assuntos sociais e políticos, especialmente da origem e desenvolvimento das sociedades humanas em geral e de cada uma em particular"

Fonte: Redação Brasil Profissões

O que é ser cientista social?

Cientistas sociais são profissionais que analisam hábitos, costumes, características religiosas, relações familiares, organização institucional e econômica de diversos grupos sociais, com base em pesquisas e observações. Pesquisam fenômenos como migrações, conflitos sociais e movimentos políticos. Tais conhecimentos podem ser aplicados na solução de problemas nas áreas de educação, saúde, violência urbana, entre outros. A pesquisa científica é a base do trabalho do cientista social, este profissional pode atuar em três linhas: na Sociologia, na Antropologia e na Ciência Política. Tais áreas da ciência são diferentes, porém estão interligadas, pois estudam vários tipos de sociedades e de culturas em diversas épocas da história da humanidade.